N.A.V.E. é um espaço socioeducativo localizado no Capão Redondo
fortalecendo a educação, a cultura, a criatividade, a cidadania e os vínculos com a comunidade.
10/7/20268 min read


7. Quais são os planos da NAVE para o futuro?
Hoje, nosso grande sonho é conseguir fortalecer nossas parcerias e conquistar uma maior estabilidade financeira, para que possamos planejar o futuro com mais segurança e criar novos projetos a partir daquilo que acreditamos, mas também a partir dos desejos, interesses e sonhos das próprias crianças.
Queremos ampliar nossa equipe e, principalmente, construir uma equipe multidisciplinar, que possa oferecer também atendimentos como psicologia e assistência social. Sonhamos em fortalecer o apoio pedagógico, com reforço escolar e ações de alfabetização, para que possamos acompanhar cada criança de perto e garantir que todos os nossos alunos tenham cada vez mais oportunidades de aprendizagem.
Também sonhamos em ter um espaço cada vez mais vivo, ocupado por diferentes artistas e profissionais, para que nossas crianças possam conhecer novas linguagens, experimentar diferentes formas de arte e aprender com pessoas diversas.
No fundo, nosso maior plano para o futuro é continuar acompanhando nossas crianças e famílias, vendo-as crescerem, descobrirem seus caminhos e alcançarem aquilo que desejam. Queremos que elas cresçam felizes, conscientes de seus direitos, confiantes em suas capacidades e sabendo que podem sonhar e construir outras possibilidades para suas próprias vidas. Se a NAVE puder continuar sendo parte desse caminho, para nós, isso já significa um futuro muito bonito.
8. Como pessoas, empresas e outros coletivos podem apoiar ou construir junto?
Acho que o primeiro passo é vir até o nosso espaço, tomar um cafezinho, comer um pedaço de bolo, olhar no olho e conversar. O contato com a NAVE acaba acontecendo muito dessa forma, quase como se estivesse chegando na casinha de mãe. A gente acredita muito nessa relação de proximidade, de troca e de construção de confiança.
E esse apoio pode acontecer de muitas formas. Pode ser por meio de um apoio financeiro, de um apadrinhamento (que também está disponível para pessoas físicas que querem contribuir), ou simplesmente se aproximando e trazendo um pouquinho daquilo que sabe fazer. Pode ser oferecendo uma oficina, compartilhando um conhecimento, ajudando em um mutirão para organizar as roupas do brechó, ajudando a cuidar das nossas plantas, acompanhando um pouco da nossa rotina ou contribuindo de qualquer outra forma que faça sentido.
Para empresas e coletivos, também existem muitas possibilidades de construir projetos e parcerias conosco, pensando nas necessidades reais da NAVE e das crianças. E existe uma forma de apoio que, apesar de parecer simples, é muito importante para nós: divulgar o nosso trabalho. Compartilhar nossas ações, falar sobre a NAVE, apresentar o projeto para outras pessoas e empresas e ajudar a ampliar nossa visibilidade também é uma maneira concreta de contribuir.
No fim, todo apoio é bem-vindo. A gente acredita que cada pessoa pode chegar com aquilo que tem e com aquilo que sabe fazer, e que, quando juntamos essas diferentes contribuições, conseguimos construir algo muito maior juntos.
O N.A.V.E. é um espaço socioeducativo localizado no Capão Redondo que atua no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, fortalecendo a educação, a cultura, a criatividade, a cidadania e os vínculos com a comunidade.
2. Como começou a trajetória e qual é a história da NAVE?
A NAVE surgiu em 2014, inicialmente por meio de ações mais pontuais. Na época, realizávamos entregas de cestas básicas e outros tipos de doações para uma ocupação que, naquele período, era conhecida como Favela Jerusalém. Além dos alimentos, roupas e outros itens necessários para as famílias, começamos também a desenvolver atividades com as crianças, como contação de histórias, oficinas de artes, brincadeiras e outras ações educativas e culturais.
Naquele momento, ainda não tínhamos um espaço físico. Por isso, ocupávamos os lugares que tínhamos disponíveis no próprio território: praças, vielas e até um barraco de madeira que compramos para conseguir realizar as atividades e atender as crianças.
Tudo começou, principalmente, porque morávamos próximos àquela ocupação e convivíamos de perto com aquela realidade. Víamos crianças sempre muito ociosas, famílias constantemente buscando ajuda e percebíamos que havia pouca assistência chegando até elas. Aquela situação mexeu muito com a gente, tocou nosso coração e gerou uma inquietação: a vontade de fazer alguma coisa, mesmo sem saber exatamente como.
Como não tínhamos recursos para realizar esse trabalho sozinhos, começamos a mobilizar amigos e familiares. Cada pessoa contribuía um pouco, fosse com dinheiro, alimentos, materiais ou com o próprio tempo. Foi assim, a partir da união de muitas pequenas contribuições e do desejo de fazer a diferença no território, que as primeiras ações da NAVE começaram. Com o tempo, essas ações foram crescendo, ganhando estrutura e se transformando no trabalho que desenvolvemos hoje.
3. Quais foram as principais dificuldades ao longo do caminho?
Ao longo da nossa trajetória, uma das principais dificuldades sempre foi a sustentabilidade financeira. Hoje, contamos com o apoio muito importante de duas empresas que são parceiras do projeto e que contribuem para que a NAVE consiga manter suas atividades. Ainda assim, como não temos um convênio ou parceria com a Prefeitura, precisamos constantemente buscar novas formas de financiamento para garantir a continuidade e a ampliação do nosso trabalho.
Outro desafio importante é o tamanho da nossa equipe. Somos uma equipe pequena diante da quantidade de demandas e da dimensão do trabalho que realizamos. Isso faz com que, muitas vezes, cada pessoa precise assumir diferentes responsabilidades e torna mais difícil manter todas as ações que gostaríamos de desenvolver.




4. Tem alguma história marcante que vocês gostariam de compartilhar?
Acho que uma das histórias mais bonitas da NAVE é, justamente, a história de como surgiu o nosso nome.
Por volta de 2015, quando o trabalho ainda estava começando, realizávamos muitas contações de histórias com as crianças. Em uma delas, propusemos uma construção coletiva: cada criança deveria contar uma parte da história e, juntos, iríamos construindo uma narrativa, como uma grande colcha de retalhos.
Em determinado momento, estávamos falando sobre as crianças e sobre a realidade da Favela Jerusalém, e chegou a vez de uma de nossas alunas, a Júlia, que tinha cerca de sete anos. Quando foi contar a sua parte, ela imaginou que, de repente, uma nave gigante, muito brilhante e colorida, havia pousado sobre a favela e abduzido todas as crianças e todo mundo que estava ali. Essa nave levava todos para outro planeta, um lugar muito legal, colorido, com muita coisa gostosa para comer, muitas brincadeiras, livros, arte e, principalmente, onde todo mundo podia ser muito feliz.
Depois que a Júlia contou essa parte da história, as outras crianças começaram a brincar com a ideia e diziam que queriam “ir para a nave”. Naquele momento, a nossa primeira “nave” também era a nossa primeira casinha, o espaço onde as atividades aconteciam, na nossa própria garagem.
A brincadeira acabou ficando tão presente entre as crianças que o nome permaneceu. E foi assim que o projeto passou a se chamar NAVE. Quando chegou o momento de formalizar a organização, abrir o CNPJ e estruturar o projeto de maneira mais profissional, transformamos NAVE em uma sigla: Núcleo de Acolhimento e Valorização da Educação.
Até hoje, essa história tem um significado muito especial para nós. Porque, de certa forma, o nome da NAVE nasceu da imaginação de uma criança. E talvez não exista representação melhor do que queremos construir: um espaço que, a partir da realidade em que estamos, consiga abrir possibilidades para que as crianças imaginem outros mundos, outras histórias e outras formas de viver.
5. Houve algum momento que quase fez vocês desistirem?
Não diria que houve um momento em que pensamos em desistir, mas, ao longo da trajetória, tivemos momentos de muita exaustão. As dificuldades financeiras, a sobrecarga emocional, em alguns momentos, o caminho se torna bastante pesado.
Também é muito difícil lutar contra um sistema. Surgem dificuldades imensas, problemas estruturais que são muito maiores do que nós, e em alguns momentos nos sentimos pequenos diante de tudo o que gostaríamos de transformar.
6. Qual é o impacto da NAVE no território e qual é a dimensão desse trabalho hoje?
Acredito que a NAVE já tenha impactado muitas pessoas ao longo da sua trajetória: as crianças que atendemos, suas famílias, os vizinhos e moradores do território, os profissionais que passaram e passam por aqui e, de alguma forma, o próprio bairro.
Hoje temos atividades de segunda a sexta-feira. Temos uma rotina que envolve alimentação, atividades pedagógicas e socioemocionais, oficinas artísticas e diferentes propostas pensadas a partir das necessidades, interesses e individualidades de cada criança. Tudo isso só é possível porque temos uma equipe muito parceira e famílias que acompanham, confiam e acreditam no nosso trabalho.
Dentro das nossas propostas pedagógicas, também buscamos trabalhar temas que consideramos fundamentais para a formação das crianças e para a compreensão do mundo em que vivem, como a relação com a Natureza, a política cotidiana, os direitos humanos e os direitos das crianças, a cultura popular brasileira e a História do Brasil. Nesse último aspecto, buscamos apresentar outras perspectivas e questionar narrativas negativas e estereotipadas que muitas vezes foram construídas sobre a nossa história, valorizando os saberes, as culturas e as pessoas que fazem parte dela. Nosso objetivo é que as crianças não sejam apenas receptoras de informações, mas possam desenvolver pensamento crítico, reconhecer seus direitos, compreender seu território e perceber que também são capazes de participar e transformar a realidade ao seu redor.
Acredito que é possível perceber pequenas transformações no próprio território. Um exemplo é a praça que acolhemos, cuidamos e transformamos em um espaço mais bonito e colorido, com a participação da própria comunidade e dos vizinhos. Também vemos as crianças levando o que aprendem para outros espaços, ensinando colegas e familiares.






A instituição funciona em regime de contraturno escolar e oferece oficinas de capoeira, percussão e artes, além de aulas de inglês, reforço escolar e atividades socioeducativas.
Equipe Skate&Cores agradece a toda cultura e informação Nave Capão (Núcleo de Acolhimento e Valorização da Educação) @navecapao
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