Roda de Rap: troca geracional de responsa
Conheça a Roda de Rap, projeto mensal realizado no Zé Batidão, Chácara Santana.
Texto: Melinka. Fotos: Fabŕicio Rodrigues
9/28/20262 min read
Quem vê a cena dos slams em São Paulo hoje ganhando espaço em escolas, SESCS e teatros da cidade, pode às vezes esquecer a árdua caminhada dos agentes que a movimentam. Poesia marginal, periférica, visceral, sempre foi uma pedra no sapato do Estado. Repressão, violência e censura são só algumas das dificuldades enfrentadas pelos poetas, principalmente a falta de aporte financeiro para poder sobreviver e VIVER compartilhando seus escritos e oralidades.
Neste sábado (26) MelinkaMC e Shabazz, dois artistas de de gerações diferentes mas de aspirações semelhantes, ocuparam a lage do clássico Zé Batidão, no Chácara Santana. Nessa troca conduzida por FinoDuRap, Cocão Avoz e Deejay Ciro, muitos assuntos vêm à tona: espiritualidade, Inteligência Artificial, política e a própria engrenagem da história individual de cada um. Todos os caminhos se encontram no hip-hop. Shabazz com sua longa trajetória no Slam, tendo sido campeão estadual, junto com Melinka que iniciou seus escritos no Sarau Verso Em Versos e hoje transforma tudo em som. A organização busca sempre mesclar os convidados, justamente para driblar as desigualdades que são escancaradas na bolha artística.
A interlocução de estilos e gerações diferentes no coração da zona sul de São Paulo é o alimento para um movimento que por vezes se vê deteriorado, desunido, descaracterizado. Será que um dia nós fomos 1 só? Pois ainda hoje, com mais de 50 anos de hip-hop na história da humanidade, ainda há a dificuldade de encher eventos independentes com mais mulheres, mais diversidade, público externo, curiosos, transeuntes. Acreditamos que todos os produtores culturais se sentem aflitos pelo latente “desinteresse” que parece haver em colar nas bases, fomentar roles mais cabeçudos, de troca de ideia. Mas é justamente contra isso que lutamos. Estamos sempre à contrapelo. Precisamos prestigiar os amigos que vão se apresentar, mesmo que seja longe, mesmo que estejam apenas vocês dois ali. Pois arte a gente faz pra gente mesmo, mas é sempre bom quando é compartilhado com mais corações.


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